9. Angústia.
Cheguei em casa e o acontecido cada vez ficava mais vivo em minha mente. Meus olhos estavam apenas molhados no momento, mas só foi me livrar dos parentes e enfiar minha cabeça no travesseiro que comecei a chorar. Entre lágrimas e soluços, veio-me um aperto no peito tão forte que coloquei a mão nele já com a certeza de que Deus havia ouvido minha promessa e fosse me levar. Isso não aconteceu, mas sim um vazio imenso que tomou conta de mim, um medo que me fazia tremer as pernas e as mãos, veio-me uma falta de vida.
Um sentimento de culpa chegou logo em seguida, eu sabia que tinha minha parcela de culpa no acidente, eu não deveria ter corrido, ter aceitado a proposta, não devia ter deixado a pressão de todos me levar a essa loucura consumada. Tudo isso que ocorre comigo é pelo simples, mas complexo fato de amar alguém. Não queria que Mônica se fosse e nem que ficasse machucada ou com alguma seqüela. Não queria Mônica longe de mim, eu precisava dela, ela que alimentava minha vida, tirava o desconforto do meu peito. Eu precisava de Mônica para protegê-la, fazê-la feliz. Longe dela eu me sentia mal, deprimido, morto.
Já começava a escurecer o dia, quando o que escureceu de vez foi minha visão, começou a embaçar e ficou tudo preto. Cai no chão. Um mundo novo começava a ter vida, mas não o real e sim o dos sonhos. Eu estava no local do acidente sozinho, tudo a volta estava quieto, estava cinza. Mas um carro vinha devagar para passar pelo cruzamento, e do outro lado vinham dois carros correndo. Sim, eram momentos antes do acidente. Os carros se chocaram, eu não pude fazer nada, mas dessa vez as conseqüências foram diferentes. Eu olhava para meu peito e estava sangrando, sangrava do lado esquerdo, no local do coração. Eu corria em direção ao carro de Mônica, mas ninguém estava dentro, me sentia confuso, me fazia perguntas. ”Cadê meu amor? Preciso salvá-la.” Mônica aparecia com um vestido branco atrás de mim e me abraçava. ”Esta tudo bem comigo, amor. Estou segura, estou salva já.” Eu virava para ela e via-a usando o anel que perdi na hora do acidente, quando eu ia abrir a boca para dizer algo, ela colocou seu dedo em meus lábios e disse. “Não se culpe de nada.”
Esse mundo se desmanchou quando o telefone tocou, o atendi. Era Sofia.
“Andréas, pelo amor de Deus onde você esta? A Mônica esta internada no hospital do centro. Ela sofreu um acidente de carro. Venha para cá já.”
Eu não sabia como Sofia tinha meu numero, se ao menos nem falava com ela, mas nada agora me surpreendia. Enxuguei minhas lágrimas que começaram a escorrer na hora do telefonema por saber que o sonho não era a verdade ainda. Desci as escadas correndo, eu precisava ver Mônica e ter notícias sobre seu pai e o companheiro piloto também. Abri a porta da frente, peguei minha bicicleta e rumei ao hospital. Mais coisas entram na minha cabeça, novas lágrimas corriam em meu rosto e novos problemas entravam em minha vida. Muita coisa para praticamente pouco mais de uma semana e muito mais para um dia só.
Nada específico, aqui se lê de tudo: humor, amor, críticas, filosofia, curiosidades, desabafos...
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
8. O pior.
O lugar onde chegamos era até conhecido, não para mim, mas para Benito. Era uma avenida que dava para a saída antiga da cidade, uma avenida pouco usada para quem quisesse sair da cidade, mas muito usada pelos que fazem racha. Comecei a suspeitar qual seria nossa diversão nesse lugar. O carro andava lentamente e todos nós observávamos o que ocorria em volta, muitos carros parados com som alto, muita bebida, “Marias-gasolina” , carros dando zerinho e outros acelerando mesmo estando parados. Tudo isso em plena luz do dia, imagina quando o sol se põe.
Benito parou o carro e desceu, muito rapazes já foram cumprimentando ele e o puxando até uma mesinha que estava perto da calçada. Toni, meus primos e eu vimos uns montes de dinheiro jogados em cima da mesa e não pudemos deixar de comentar a nossa visão. Benito e os rapazes olharam para nosso carro e todos fizeram um sim com a cabeça. Francesco disse:- Já até imagino!- Eu não sabia o que ele imaginava, mas mesmo assim não perguntei. Benito veio até o carro e disse com o maior tom de aprovação: - Andréas, você vai ter o prazer imenso de pilotar meu carro numa corrida, agora mesmo-. Fiquei sem reação, gelei por alguns segundos e respondi: - Você está de brincadeira. Não posso fazer isso. Por que você não dirige?- . Benito riu e sem menor ressentimento disse: - Escuta, eu apostei grana alta ali. Os caras não deixaram eu correr, porque sempre ganho, só me deixaram apostar e participar com outro piloto, e escolhi você-. Naquele ponto eu já havia entendido tudo, Benito, Toni e meus primos já haviam armado tudo antes de eu acordar. Hesitei em aceitar, sabia que não era certo, mas pela pressão de todos, meus lábios vibraram até sair o “sim”.
Os carros já estavam á postos, era o nosso contra um outro. Nós cinco estávamos nervosos dentro do carro, eu principalmente. A única coisa dita por todos foi “ Boa sorte”. Eu sabia dirigir, meu irmão me ensinou, mas correr? Nunca havia corrido antes. Estava aflito.
Uma garota ficou entre os dois carros, ela era bonita, mas meu nervosismo não deixava ficar reparando nela. Sobe-se um braço, agora o outro e depois de um breve intervalo descem os dois. Os carros cantaram pneu, saímos à frente. Adriano ria sem parar, era patético e falava “Boa, garoto!”. O velocímetro já alcançava 160 por hora e meu nervosismo passava de 200. A reta acabou, chegou a vez da primeira curva, passei tranqüilo, mas o adversário colou na traseira. Acelerei o máximo que pude até a segunda curva , a qual fiz com tranqüilidade, pegamos um segunda reta de uns 2 km de extensão ,era um corrida curta e eu já avistava a linha de chegada, só faltava passar por um cruzamento. Passei, mas só ouvi um barulho imenso, olhei no retrovisor, o carro adversário colidiu com outro carro que cruzava. Pisei fundo no freio e fiz um cavalo de pau. Não me perguntem como fiz isso, mas só sei dizer que o desespero da cena foi o causador. Engatei a primeira marcha novamente e fui à direção do acidente. Parei o carro, todos nós descemos, mas só eu fui socorrer quem estava no carro atingido, os outros foram socorrer o adversário enquanto Francesco ligava para a emergência.
Para minha surpresa, era Mônica que estava no carro. Ela e um homem, provavelmente seu pai. Fiquei branco, gelado, desesperado, gritei, suei frio, chorei. Abri a porta rapidamente, pois no carro havia começado um foco de incêndio, soltei o cinto de Mônica e a puxei para fora do carro, logo em seguida repeti o procedimento com o homem que dirigia. Sei que fazer isso quando alguém sofre um acidente é perigoso, mas era necessário no momento. Adriano retirou o piloto adversário do veículo, pois começou um foco de incêndio no outro veiculo também. Toni aparecia com o extintor de nosso carro e começou a despejar em cima do fogo. Apagamos tudo, foi o tempo de ouvirmos a sirene das ambulâncias, mas não havia ambulâncias apenas e sim a policia também. Benito gritou: “Sujou, vamos embora, eles vão saber que era racha! Vamos!” -. Todos foram e eu fiquei ali parado no meio da rua olhando para Mônica, estendida no chão. Meus olhos doíam e derramavam lágrimas de verdade, de alguma forma eu tinha culpa nisso tudo. Começou a chover. Sai correndo em direção ao nosso carro sob os gritos desesperados de Benito. Abri a porta e sentei, Benito disparou com o carro. Tudo estava em clima tenso, pesado, frio dentro do carro, eu tremia de medo e desespero, olhei para minhas mãos e não pude deixar de reparar que havia perdido meu anel, que foi de meu bisavô mafioso, no meio da confusão.
Minha cabeça estava para explodir, meus nervos também, senti um vazio no peito, um medo. Medo de Mônica estar mal, medo de perdê-la; não queria perdê-la, ela era a única que me fazia sentir algo, eu a amava sem sombra de dúvida. Senti-me um covarde, um fraco, um nada, eu devia ter ficado lá com ela, devia ter a acompanhado até o hospital. Fiz uma promessa; Se Mônica ficasse bem, eu a protegeria em todas as circunstâncias e se fosse a vontade de Deus, a faria feliz. Prometi a Deus e aos santos. Se eu não cumprisse, poderiam me tirar a vida. Vida? Vida para mim era estar perto de Mônica e agora nesse momento eu estava morto, morto por não estar com ela. Sim, ela é meu amor.
O lugar onde chegamos era até conhecido, não para mim, mas para Benito. Era uma avenida que dava para a saída antiga da cidade, uma avenida pouco usada para quem quisesse sair da cidade, mas muito usada pelos que fazem racha. Comecei a suspeitar qual seria nossa diversão nesse lugar. O carro andava lentamente e todos nós observávamos o que ocorria em volta, muitos carros parados com som alto, muita bebida, “Marias-gasolina” , carros dando zerinho e outros acelerando mesmo estando parados. Tudo isso em plena luz do dia, imagina quando o sol se põe.
Benito parou o carro e desceu, muito rapazes já foram cumprimentando ele e o puxando até uma mesinha que estava perto da calçada. Toni, meus primos e eu vimos uns montes de dinheiro jogados em cima da mesa e não pudemos deixar de comentar a nossa visão. Benito e os rapazes olharam para nosso carro e todos fizeram um sim com a cabeça. Francesco disse:- Já até imagino!- Eu não sabia o que ele imaginava, mas mesmo assim não perguntei. Benito veio até o carro e disse com o maior tom de aprovação: - Andréas, você vai ter o prazer imenso de pilotar meu carro numa corrida, agora mesmo-. Fiquei sem reação, gelei por alguns segundos e respondi: - Você está de brincadeira. Não posso fazer isso. Por que você não dirige?- . Benito riu e sem menor ressentimento disse: - Escuta, eu apostei grana alta ali. Os caras não deixaram eu correr, porque sempre ganho, só me deixaram apostar e participar com outro piloto, e escolhi você-. Naquele ponto eu já havia entendido tudo, Benito, Toni e meus primos já haviam armado tudo antes de eu acordar. Hesitei em aceitar, sabia que não era certo, mas pela pressão de todos, meus lábios vibraram até sair o “sim”.
Os carros já estavam á postos, era o nosso contra um outro. Nós cinco estávamos nervosos dentro do carro, eu principalmente. A única coisa dita por todos foi “ Boa sorte”. Eu sabia dirigir, meu irmão me ensinou, mas correr? Nunca havia corrido antes. Estava aflito.
Uma garota ficou entre os dois carros, ela era bonita, mas meu nervosismo não deixava ficar reparando nela. Sobe-se um braço, agora o outro e depois de um breve intervalo descem os dois. Os carros cantaram pneu, saímos à frente. Adriano ria sem parar, era patético e falava “Boa, garoto!”. O velocímetro já alcançava 160 por hora e meu nervosismo passava de 200. A reta acabou, chegou a vez da primeira curva, passei tranqüilo, mas o adversário colou na traseira. Acelerei o máximo que pude até a segunda curva , a qual fiz com tranqüilidade, pegamos um segunda reta de uns 2 km de extensão ,era um corrida curta e eu já avistava a linha de chegada, só faltava passar por um cruzamento. Passei, mas só ouvi um barulho imenso, olhei no retrovisor, o carro adversário colidiu com outro carro que cruzava. Pisei fundo no freio e fiz um cavalo de pau. Não me perguntem como fiz isso, mas só sei dizer que o desespero da cena foi o causador. Engatei a primeira marcha novamente e fui à direção do acidente. Parei o carro, todos nós descemos, mas só eu fui socorrer quem estava no carro atingido, os outros foram socorrer o adversário enquanto Francesco ligava para a emergência.
Para minha surpresa, era Mônica que estava no carro. Ela e um homem, provavelmente seu pai. Fiquei branco, gelado, desesperado, gritei, suei frio, chorei. Abri a porta rapidamente, pois no carro havia começado um foco de incêndio, soltei o cinto de Mônica e a puxei para fora do carro, logo em seguida repeti o procedimento com o homem que dirigia. Sei que fazer isso quando alguém sofre um acidente é perigoso, mas era necessário no momento. Adriano retirou o piloto adversário do veículo, pois começou um foco de incêndio no outro veiculo também. Toni aparecia com o extintor de nosso carro e começou a despejar em cima do fogo. Apagamos tudo, foi o tempo de ouvirmos a sirene das ambulâncias, mas não havia ambulâncias apenas e sim a policia também. Benito gritou: “Sujou, vamos embora, eles vão saber que era racha! Vamos!” -. Todos foram e eu fiquei ali parado no meio da rua olhando para Mônica, estendida no chão. Meus olhos doíam e derramavam lágrimas de verdade, de alguma forma eu tinha culpa nisso tudo. Começou a chover. Sai correndo em direção ao nosso carro sob os gritos desesperados de Benito. Abri a porta e sentei, Benito disparou com o carro. Tudo estava em clima tenso, pesado, frio dentro do carro, eu tremia de medo e desespero, olhei para minhas mãos e não pude deixar de reparar que havia perdido meu anel, que foi de meu bisavô mafioso, no meio da confusão.
Minha cabeça estava para explodir, meus nervos também, senti um vazio no peito, um medo. Medo de Mônica estar mal, medo de perdê-la; não queria perdê-la, ela era a única que me fazia sentir algo, eu a amava sem sombra de dúvida. Senti-me um covarde, um fraco, um nada, eu devia ter ficado lá com ela, devia ter a acompanhado até o hospital. Fiz uma promessa; Se Mônica ficasse bem, eu a protegeria em todas as circunstâncias e se fosse a vontade de Deus, a faria feliz. Prometi a Deus e aos santos. Se eu não cumprisse, poderiam me tirar a vida. Vida? Vida para mim era estar perto de Mônica e agora nesse momento eu estava morto, morto por não estar com ela. Sim, ela é meu amor.
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