11. JabuticabeiraEra quarta-feira, já haviam se passado 4 dias desde o acidente, e era o dia em que eu voltava para escola, pois meus dias de suspensão acabaram. Acordei com o despertador, me levantei com a mão na cabeça e fiquei sentado na beira da cama até me tocar do dia que era, rapidamente me troquei e fui tomar café. Minha mãe sentada na mesa, ainda de pijama, me deu bom dia e disse: “ – Olha só menino, vê se hoje não toma outra suspensão”. Fiz um sim com a cabeça, já estava acostumado a dar resposta dessa maneira, para evitar falar demais até sair o que não deve. Meu pai entrou na cozinha já arrumado para o trabalho e disse: “ Hoje volto mais tarde, porque depois do trabalho vou passar no Tio Bernardo”. Minha mãe trocou umas palavras com ele e o acompanhou até a porta para dar-lhe um beijo de despedida. Tio Bernardo era um homem grande e bem gordo, que nossa família apelidou de tio não sei por qual motivo, mas ele praticamente era da família, então o apelido caiu muito bem. Meu pai o conheceu num barzinho que era freqüentado por pessoas acima dos 35 e desde então ficaram super amigos.
Peguei minha mochila e sai de casa, sem me despedir de ninguém, acordei sem vontade de conversar nesse dia. Fui andando pela calçada e olhando ora para o chão, ora para o céu e pensando em Mônica. Já na rua da escola lembrei do Nando, e isso não me agradou já que ele também voltava hoje para os estudos. Entrei pelo portão e muitos na escola já me olhavam e apontavam. Percebi o sorrisinho estampado na boca de algumas meninas que pelo jeito gostam de brigas e idolatram o vencedor, mas não dei trela para nenhuma. Cheguei na classe e sentei no meu lugar, logo em seguida Renato, Lucas, Maísa e Sofia vieram com tudo para cima de mim e me encheram de perguntas. Sofia eu já tinha visto esses dias, mas a curiosidade partia mais de Lucas do que de todos os outros juntos. Enquanto respondia as perguntas, reparei Nando no corredor da escola, fiquei olhando-o, foi quando ele se virou e percebeu que eu o encarava, abaixou a cabeça e saiu andando. Nando sentia a vergonha de ter apanhado mais do que batido, mas eu sabia que acima de tudo ele tinha raiva e queria se vingar de algum jeito e isso não era nada bom para mim, para Mônica e meus amigos.
A aula começou e prestei atenção em todas até o recreio. Quando tocou o sinal do recreio todos saíram apressados para o pátio porque aprender Química Orgânica não é muito agradável. Mas eu continuei na sala e me levantei devagar, Renato ainda copiava o que estava na lousa e Sofia estava sentada ao meu lado. Senti uma mão pegando em minha mão, olhei para a pessoa, era Sofia. Ela me puxou e disse: “-Vem cá que preciso te mostrar uma coisa”. Fomos até uma parte da escola onde não havia alunos e ficamos embaixo de uma jabuticabeira. Sofia pegou minhas duas mãos e colou seus lábios nos meus rapidamente. Eu a segurei e a afastei dizendo: “- Sofia, qual o problema? Você não pode fazer isso, eu gosto de sua melhor amiga, a Mônica, e você sabe disso. Vamos esquecer isso, Isso nunca aconteceu”.
Sofia fez uma expressão de espanto e disse: “– Ai Andréas, eu não resisti. Você é tão homem perto dos outros garotos, eu precisava fazer isso. De uns dias pra cá me sinto atraída por você”. Fechei os olhos e suspirei fundo: “- Olha Sofia, você é uma menina linda e muitos garotos a querem, mas eu não posso, entende? Eu só penso na Mônica, não quero me relacionar com ninguém que não seja ela”. Sofia disse: “- Desculpa, você tem razão”. Ela me deu um abraço e enxugou uma lágrima. Saímos daquele canto abandonado e fui procurar Lucas e Renato enquanto ela procurava Maisa.
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A diretora me chamou na saída e disse: ”- Senhor Maranzano, pela sua infração cometida na sexta-feira, o segundo diretor e eu tomamos a decisão de darmos mais uma punição, porque já se faziam 5 anos que não tínhamos um acontecimento desse na escola e você e o senhor Fernando Carvalho quebraram a seqüência de dias tranqüilos. Ele já recebeu a pena dele, agora é sua vez. Você vai ter que ajudar os alunos do primeiro colegial a tirarem suas dúvidas de quaisquer matérias. Amanhã eles terão simulado e você será o encarregado de os ajudar. Fique tranqüilo que são apenas 12 alunos com dúvidas. Esteja hoje às 14 horas aqui na biblioteca da escola para seu trabalho, digamos assim, voluntário”. Concordei e sai da escola com raiva. Justo hoje que eu iria visitar Mônica no hospital acontece uma dessas. Para pelo menos me tranqüilizar, no caminho para casa, passei numa loja de brinquedos e comprei um ursinho de pelúcia, escrevi um cartão:
“ Mônica, desculpa não aparecer ai no hospital hoje, é porque tive mais problemas aqui na escola, mas nada grave não. Comprei esse ursinho para que você se sinta melhor. Quando der, eu a visito
Beijos,
Andréas”
Coloquei o cartão junto com o ursinho e fui até a casa de Maisa que era na rua debaixo da minha. Pedi para que entregasse o presente. Olhei no relógio já eram 13horas e 25 minutos, resolvi voltar para a escola sem almoçar, no caminho de volta parei na padaria e comprei um salgado e uma Coca gelada. Matei minha fome com isso mesmo.
Comecei meu trabalho, como dito pela diretora, voluntário.