10. Notícia repetida.
Corri muito até o hospital onde Mônica estava internada, cheguei e quando entrei na recepção Sofia me esperava agoniada e com os olhos umedecidos. Hesitei, mas a abracei e lhe dei um beijo na testa, Sofia me apertou e encostou sua cabeça em meu peito. Ficamos em tal posição por uns 2 minutos até que ela abriu a boca e disse: - “Mônica sofreu um acidente grave de carro”-. Uma lágrima escorria em minha bochecha esquerda, logo perguntei com firmeza, mas ao mesmo tempo com medo em minha voz: - “E como ela está?”-. Sofia enxugou as lágrimas e disse com voz trêmula: - “Ah, ela não corre risco, mas ela estava em um estado péssimo. O pai dela estava junto, mas ele acordou na ambulância já, segundo ele, o que os salvou foram os airbags do carro e alguém que os retirou a tempo de dentro do carro em chamas, senão teriam morrido queimados talvez, só de eu pensar nessa possibilidade já me arrepia toda. E eu queria saber quem foi o anjo que salvou os dois”-. Fiquei calado, senti um alívio de saber que ela estava bem.
Uma enfermeira veio em nossa direção e nos disse para acompanhá-la, andamos pelos corredores frios do hospital, por alguns momentos ouvíamos gemidos de pessoas doentes e feridas, nos dava arrepios. Entramos no quarto de número 38 e na cama estava Mônica, cheia de curativos, estava dormindo. Sofia ficou alguns momentos comigo ao lado de Mônica, a observando. Foi quando ela disse: - Andréas, eu vou ao quarto ao lado ver como o Tio Mário esta-. Fiz um sim com a cabeça e Sofia saiu do quarto. Tio Mário era a forma carinhosa de Sofia chamar o pai de Mônica, pois por elas serem tão amigas, os pais e mães de ambas já viraram tios e tias.
Coloquei minha mão sobre a de Mônica, ela estava com o corpo quente, apertei de leve sua mão e mais uma vez novas lágrimas escorreram em meu rosto. Rezei um pai nosso pela saúde de Mônica, foi quando logo após virei meu rosto para o criado-mudo ao lado do leito e meu anel estava lá, fiquei o fitando por uns segundos, quando a enfermeira entrou no quarto e disse: - “Esse anel provavelmente é a marca do herói que os salvou do acidente, muito bonito o anel e parece ser de um valor inestimável. Os para-médicos o acharam ao lado de Mônica e o pai dela disse nunca ter visto esse anel na vida dele”-. Sim, esse anel é de um valor inestimável, foi herança da máfia. E agora? E se Mônica soubesse que o anel me pertence? E se meu avô ou pai descobrir a perda do anel? Estaria em uma situação nada agradável. Depois que voltei à realidade, percebi Mônica despertar, soltei sua mão e logo disfarcei. Mônica me viu e disse: - “Andréas? O que faz aqui? Onde estou? O que aconteceu?”-. Apenas disse a ela que havia sofrido um acidente de carro, mas que ela e seu pai estavam bem. Mônica sorriu. O pai de Mônica entrou no quarto com uma muleta, pois seu pé estava com um machucado e foi falar com a filha. Devagar, comecei a sair do quarto, à francesa. Comecei a andar pelo corredor até a hora que Sofia gritou baixo e suavemente meu nome. Olhei para trás e a vi vindo com passo apressado. Sofia disse que estava indo embora já e pediu para que eu à acompanhasse até sua casa, pois tinha medo de ir sozinha já que o bairro em que passariam não era muito seguro. Chegamos na casa de Sofia em uns 40 minutos, antes dela entrar em casa, me disse: - “Acho que Mônica tem razão quando diz que você é diferente dos outros meninos. Sei lá, mas você é o único que se importa realmente com as coisas. Você não é apenas um garoto, você é homem de verdade”-. Dei um sorriso de surpresa e me despedi.
Voltei para casa, e pelo caminho tentei imaginar essas palavras saindo da boca de Mônica. Minha agonia aliviou após ter noticias sobre ELA.
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