6. Uma pedra no caminho.
Cheguei à escola, estava tremendo e com um aperto no coração, tudo isso pelo medo de encarar as pessoas hoje. As pessoas? Não! Era a Mônica mesmo. Entrei na sala de aula, todos estavam com livros abertos estudando logaritmo e geometria espacial. Ah sim, tinha prova e eu não estudei porque fiquei muito tempo envolvido com os recentes fatos, festas, Adriano e claro, Mônica.
Dirigi-me até a carteira e nem ousei abrir o livro, pois estudar faltando 20 minutos para a prova era a maior perda de tempo. Renato e Lucas vieram me cumprimentar e comentaram sobre a festa, dos dois, só Renato lembrava da revelação, pois Lucas estava em um estado lamentável na ocasião.
O sinal anunciou a hora da prova, o professor entra na sala e distribui as provas, olhei para a carteira de Mônica, estava vazia. O que ocorrera? Será que esta bem?
O professor colocou a prova em cima de minha mesa, olhei para aquelas formas geométricas e para aqueles números e não sabia nem como começar. Olhei ao meu redor e descobri que minha expressão não era a única; Maísa, Lucas, Sofia e vários outros estavam com a mesma expressão, só Renato que não. Renato era muito estudioso, não nerd.
Escrevi algumas coisas na prova, desenhei algo e entreguei a prova ao professor que logo me dispensou da sala e me disse para aguardar o término da prova no pátio. Abri a porta da sala e sai andando pelo corredor, parei em frente ao armário de Mônica e fiquei observando por alguns segundos. Continuei a andar. Cheguei ao pátio e me sentei num banco que ficava na parte descoberta da escola, embaixo de uma arvore.
Já vi apontar no pátio também os outros que não sabiam nada na prova. Maisa e Sofia desceram as escadas e vieram ao meu encontro, logo atrás veio Lucas e Nando. Nando era um rapaz ambicioso, sempre com segundas intenções, tinha cabelo espetado e preto, olhos profundos, era magro, mas forte. Maisa disse: - Festa boa a de ontem, hein Andréas?-. E riu. Eu respondi: - É, estava boa mesmo-. Nando entrou no meio com uma provocação: - Pois é, estava boa, mas acho que tem pessoas que não gostaram muito, pois nem vieram à aula. O que será que aconteceu? Será que ela queria evitar você Andréas? Será que ela ficou com outro garoto naquela noite, ai foi tão bom, que nem quis vir à escola. Hein!-. Fiquei roxo de raiva, Maisa, Sofia e Lucas fizeram uma cara de “Nossa, que mancada!”. Não me detive, voei em cima de Nando, dei-lhe um murro no nariz que imediatamente começou a sangrar. Nando, então, partiu para cima também e rolamos no chão, ele me acertou um soco no peito, mas revidei acertando-lhe vários socos na barriga e no rosto. Isso foi minha vitória, mas meu pesadelo também, nòs dois levamos suspensão. Na briga, veio-me o sangue italiano mafioso que naquele momento agradeci por tê-lo nas veias.
Voltei a pé para casa, eram 9hrs e pouco, havia começado a aula de Física. No caminho fiquei lembrando da luta, que fui burro ao me levar por aquele sujeitinho. Por que às vezes acreditamos em coisas que nos dizem, mesmo sabendo que são mentiras? Nando era forte, mas não tanto quanto eu, eu havia entrado no começo do ano passado na musculação e já estava forte, não um monstro nem armário, que também não era minha meta. Lembrei também da prova, de como fui mal nela e não pude esquecer de Mônica. Por que ela faltou? Não sei, mas queria saber. Entrei na sala sob olhares da família toda e lá fui eu dar explicações sobre o ocorrido.
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