4. Verdade difícil de dizer.
Chegamos ao endereço, era uma rua larga e com muitas árvores grandes, um bairro nobre, a casa do Lucas era umas das mais bonitas da rua, senão a mais. Era uma casa enorme, de dois andares. A musica estava alta, dava para escutar de fora da casa.
Entramos na casa e já fomos recebidos pelo Lucas: - Fiquem à vontade brothers - .
Benito e Toni , cada um foi para um lado e me deixaram sozinho. Comecei a andar como se estivesse procurando alguém e realmente eu estava, era Mônica. Entrei na cozinha, depois na sala de estar, me dirigi à piscina e nada da Mônica. Comecei a pensar que essa festa não ia me animar, mas foi quando ouvi uma risada suave, mas que confortou e entrou em meus ouvidos da forma mais delicada possível, sim, era Mônica. Havia chegado naquele instante e como para não perder o costume, estava linda. Seu cabelo estava com leves ondulações, seu vestido preto estava como se fosse feito somente a ela, seus olhos brilhavam, ah sim! Uma deusa.
A acompanhei com os olhos, como se fosse um segurança ou um cão de guarda á fim de protegê-la. Ela se dirigiu ao bar, onde estavam Maisa e Sofia, suas melhores amigas.
Foi quando ouvi uma voz: - E ai meu amigo?-. Era Renato. Quando o vi dei um sorriso e disse:- E ai meu velho?-. Cumprimentos de meninos, sempre nas perguntas e nunca uma resposta. Fomos até a sala onde o Lucas estava dando um showzinho à parte, estava bêbado.
Conversei com muitos amigos e amigas e por alguns instantes me esqueci de Mônica, mas bastava um segundo para lembrar dela. Dei uma volta em mim mesmo para achá-la, e ela estava ali na sala mesmo, rindo e se divertindo muito. Foi quando o Dj começou a tocar uma música, a qual identifiquei na primeira nota. Sim! Era “She Will Be Loved”do Maroon 5. A mesma sensação que tive na escola, agora estava na festa. Coração acelerado, batendo no ritmo da música, só havia naquele momento a música, Mônica e eu. Aquele momento foi cortado por Lucas que me disse com bafo de vodca: - Vamos fazer um joguinho só com o pessoal da classe? Vamos? Vamos? Só quem é da classe vai em uma sala aqui que meu pai usa para reuniões. Ai, a gente joga-. Respondi:- Jogo? Huum...Sei não, mas do que se trata?-. Lucas deu uma risada patética e disse: -Paga pra ver?-. Respondi pateticamente também: - Pago!
Lucas foi reunindo aos poucos os colegas e amigos de classe na sala de reuniões. Uma sala ampla e bela, estantes altas com livros até as ultimas prateleiras. Uma mesa de madeira maciça grande com papéis, um relógio e um notebook em cima, atrás uma cadeira que devia ser muito confortável.
Lucas mandou todos sentarem ao chão e começou a explicar as regras. Tudo não passava de um jogo de Verdade ou Desafio, mas com desafios e verdades mais ousadas e picantes. Todos concordaram em brincar, inclusive Mônica. Para eu não ser anti-social e nem ser tachado de medroso, aceitei o jogo. Lucas pegou a garrafa de vodca que provavelmente ele consumiu, e colocou no chão, ao centro da roda formada por todos.
A garrafa girava e girava e eu agradecia cada vez por não apontar para mim, mas nada é tarde e essa hora chegou. Quem fazia a pergunta era Maisa: - Andréas, verdade ou desafio?-. Optei por verdade, mas mal sabia eu que às vezes, a verdade é mais desafio que um próprio desafio dito.
- Andréas, estou em duvida no que pergunto. Ah, já sei! Diga-me o que acha da Mônica. E você a beijaria?
Essa pergunta me apunhalou pelas costas, no peito, na cabeça, nas pernas, em tudo. Olhei para Renato que me fez uma cara de quem estava surpreso. Olhei para Maisa, ela aguardava resposta. Olhei para Lucas que estava babando de tanta bebida e enfim dirigi os olhos à Mônica, ela estava séria e me observando. Abri a boca, eu suava frio, desejei estar no carro de meu irmão naquele momento ou que um raio caísse e acabasse a luz e o compromisso da resposta. As palavras saíram gaguejadas: - É, eu a acho linda e com toda certeza ficaria com ela-. Todos ficaram surpresos, Mônica ficou vermelha e eu me senti vermelho. Após mais algumas perguntas e respostas, Lucas interrompeu o jogo com uma golfada no meio da roda e um pouco no colo de Elias, um garoto nerd da sala.
Todos saímos da sala e fomos ao resto dos convidados. Benito e Toni me esperavam na escada com uma expressão de que nada estava bem. Perguntei o que havia ocorrido e eles só me disseram para entrar no carro. Fomos até o carro.
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