12. o Beijo.
Fazia uma semana desde o acidente, Mônica já estava bem, então Maisa conversou com Sofia, Renato, Lucas, com outras meninas da classe e comigo para fazermos uma comemoração pela volta de Mônica, nada de festa, apenas uma noite entre amigos.
A mãe de Mônica após o acidente deu uma aproximada com o Sr. Mário, e aproveitando isso os dois sairiam para jantar e deixariam a casa somente para nós, Mônica não sabia de nada. Cada um ficou encarregado de levar alguma coisa para comer e beber.
Quando já anoitecia, todos nós nos reunimos na casa de Renato que era perto da casa de Mônica e fomos caminhando até a casa após um sinal da mãe dela. Chegando lá, Mônica estava sentada no sofá assistindo um filme ou um seriado, não me recordo bem o que era. Abrimos a porta e ela deu um pulo do sofá de surpresa e já foi arrumando o cabelo.
Ficamos algum tempo conversando até que Maisa deu a idéia de irmos todos ao quintal da casa. O quintal era imenso e era todo gramado com algumas árvores. Todos saímos, menos Renato que ficou assistindo TV. Renato sempre foi o mais calado e sempre preferiu a solidão.
Nós estávamos deitados na grama olhando as estrelas, quando Mônica se virou e disse: ” - Quem me ajuda a pegar as bebidas lá na cozinha? “. Lucas ia abrir a boca para falar, mas Maisa deu beliscão nele, sem grito, ele entendeu o recado. Eu sem demora disse: “ – Eu vou”. Entramos na cozinha e começamos a separar as bebidas, eu não sabia o que dizer, e sabia também que ela não sabia o que dizer. Foi quando Mônica deixou uma garrafa cair e se quebrar, ela se agachou no mesmo instante que eu e disse: “ –Ai , estou meio nervosa”. Eu dei um sorriso. Renato aumentou o som da TV, pois estava passando na MTV o clipe de sua banda favorita, U2. Mônica pediu para eu pegar um pano seco para tirar o excesso de liquido que havia no chão da cozinha, fui até a dispensa e lá fiquei pensado: “Como você é lerdo Andréas, como você é tonto, Diga algo a ela.” Quando voltei a cozinha, sequei o chão e coloquei o pano no balde de roupas sujas na lavanderia. Mônica estava me esperando na cozinha, cheguei ao seu lado, quando começou a tocar na MTV, She will be loved. Foi tão rápido e tão seguro, nos abraçamos e tocamos os lábios, é como se a música tivesse dado o empurrão na hora certa. O melhor beijo de toda minha vida, a abracei e a beijei, passei minhas mão por suas costas até uma delas chegar ao cabelo. Meu coração estava acelerado, acho que nunca tive uma dose de adrenalina tão forte e tão grande, minhas pernas balançavam. Foi o melhor beijo da minha vida e ainda mais por ser com Mônica. Ela deu uma mordidinha em meu lábio, o que me deixou mais rendido ainda a ela.
Quando acabou o beijo, ela me abraçou forte, encostou sua cabeça em meu peito e disse: “ – Eu queria isso, faz um tempo”. Eu fechei os olhos de satisfação e respondi: “ – Eu te amo”. Não sei se devia ter dito isso, mas foi a única coisa que me veio na cabeça.
Após tal acontecimento, Renato entra na cozinha e diz: “- Atrapalho?” Seria uma resposta óbvia para uma pergunta dessas, mas dizemos juntos: “Não”.
Realmente aquela noite estava linda, estrelada, com uma lua maravilhosa. Mônica também estava linda como sempre, me encantava cada vez que a olhava. Melhor que a noite em que a reparei, só essa noite agora. Agora sim eu senti que ela era minha.
Nada específico, aqui se lê de tudo: humor, amor, críticas, filosofia, curiosidades, desabafos...
sábado, 23 de janeiro de 2010
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
11. Jabuticabeira
Era quarta-feira, já haviam se passado 4 dias desde o acidente, e era o dia em que eu voltava para escola, pois meus dias de suspensão acabaram. Acordei com o despertador, me levantei com a mão na cabeça e fiquei sentado na beira da cama até me tocar do dia que era, rapidamente me troquei e fui tomar café. Minha mãe sentada na mesa, ainda de pijama, me deu bom dia e disse: “ – Olha só menino, vê se hoje não toma outra suspensão”. Fiz um sim com a cabeça, já estava acostumado a dar resposta dessa maneira, para evitar falar demais até sair o que não deve. Meu pai entrou na cozinha já arrumado para o trabalho e disse: “ Hoje volto mais tarde, porque depois do trabalho vou passar no Tio Bernardo”. Minha mãe trocou umas palavras com ele e o acompanhou até a porta para dar-lhe um beijo de despedida. Tio Bernardo era um homem grande e bem gordo, que nossa família apelidou de tio não sei por qual motivo, mas ele praticamente era da família, então o apelido caiu muito bem. Meu pai o conheceu num barzinho que era freqüentado por pessoas acima dos 35 e desde então ficaram super amigos.
Peguei minha mochila e sai de casa, sem me despedir de ninguém, acordei sem vontade de conversar nesse dia. Fui andando pela calçada e olhando ora para o chão, ora para o céu e pensando em Mônica. Já na rua da escola lembrei do Nando, e isso não me agradou já que ele também voltava hoje para os estudos. Entrei pelo portão e muitos na escola já me olhavam e apontavam. Percebi o sorrisinho estampado na boca de algumas meninas que pelo jeito gostam de brigas e idolatram o vencedor, mas não dei trela para nenhuma. Cheguei na classe e sentei no meu lugar, logo em seguida Renato, Lucas, Maísa e Sofia vieram com tudo para cima de mim e me encheram de perguntas. Sofia eu já tinha visto esses dias, mas a curiosidade partia mais de Lucas do que de todos os outros juntos. Enquanto respondia as perguntas, reparei Nando no corredor da escola, fiquei olhando-o, foi quando ele se virou e percebeu que eu o encarava, abaixou a cabeça e saiu andando. Nando sentia a vergonha de ter apanhado mais do que batido, mas eu sabia que acima de tudo ele tinha raiva e queria se vingar de algum jeito e isso não era nada bom para mim, para Mônica e meus amigos.
A aula começou e prestei atenção em todas até o recreio. Quando tocou o sinal do recreio todos saíram apressados para o pátio porque aprender Química Orgânica não é muito agradável. Mas eu continuei na sala e me levantei devagar, Renato ainda copiava o que estava na lousa e Sofia estava sentada ao meu lado. Senti uma mão pegando em minha mão, olhei para a pessoa, era Sofia. Ela me puxou e disse: “-Vem cá que preciso te mostrar uma coisa”. Fomos até uma parte da escola onde não havia alunos e ficamos embaixo de uma jabuticabeira. Sofia pegou minhas duas mãos e colou seus lábios nos meus rapidamente. Eu a segurei e a afastei dizendo: “- Sofia, qual o problema? Você não pode fazer isso, eu gosto de sua melhor amiga, a Mônica, e você sabe disso. Vamos esquecer isso, Isso nunca aconteceu”.
Sofia fez uma expressão de espanto e disse: “– Ai Andréas, eu não resisti. Você é tão homem perto dos outros garotos, eu precisava fazer isso. De uns dias pra cá me sinto atraída por você”. Fechei os olhos e suspirei fundo: “- Olha Sofia, você é uma menina linda e muitos garotos a querem, mas eu não posso, entende? Eu só penso na Mônica, não quero me relacionar com ninguém que não seja ela”. Sofia disse: “- Desculpa, você tem razão”. Ela me deu um abraço e enxugou uma lágrima. Saímos daquele canto abandonado e fui procurar Lucas e Renato enquanto ela procurava Maisa.
...
A diretora me chamou na saída e disse: ”- Senhor Maranzano, pela sua infração cometida na sexta-feira, o segundo diretor e eu tomamos a decisão de darmos mais uma punição, porque já se faziam 5 anos que não tínhamos um acontecimento desse na escola e você e o senhor Fernando Carvalho quebraram a seqüência de dias tranqüilos. Ele já recebeu a pena dele, agora é sua vez. Você vai ter que ajudar os alunos do primeiro colegial a tirarem suas dúvidas de quaisquer matérias. Amanhã eles terão simulado e você será o encarregado de os ajudar. Fique tranqüilo que são apenas 12 alunos com dúvidas. Esteja hoje às 14 horas aqui na biblioteca da escola para seu trabalho, digamos assim, voluntário”. Concordei e sai da escola com raiva. Justo hoje que eu iria visitar Mônica no hospital acontece uma dessas. Para pelo menos me tranqüilizar, no caminho para casa, passei numa loja de brinquedos e comprei um ursinho de pelúcia, escrevi um cartão:
“ Mônica, desculpa não aparecer ai no hospital hoje, é porque tive mais problemas aqui na escola, mas nada grave não. Comprei esse ursinho para que você se sinta melhor. Quando der, eu a visito
Beijos,
Andréas”
Coloquei o cartão junto com o ursinho e fui até a casa de Maisa que era na rua debaixo da minha. Pedi para que entregasse o presente. Olhei no relógio já eram 13horas e 25 minutos, resolvi voltar para a escola sem almoçar, no caminho de volta parei na padaria e comprei um salgado e uma Coca gelada. Matei minha fome com isso mesmo.
Comecei meu trabalho, como dito pela diretora, voluntário.
Era quarta-feira, já haviam se passado 4 dias desde o acidente, e era o dia em que eu voltava para escola, pois meus dias de suspensão acabaram. Acordei com o despertador, me levantei com a mão na cabeça e fiquei sentado na beira da cama até me tocar do dia que era, rapidamente me troquei e fui tomar café. Minha mãe sentada na mesa, ainda de pijama, me deu bom dia e disse: “ – Olha só menino, vê se hoje não toma outra suspensão”. Fiz um sim com a cabeça, já estava acostumado a dar resposta dessa maneira, para evitar falar demais até sair o que não deve. Meu pai entrou na cozinha já arrumado para o trabalho e disse: “ Hoje volto mais tarde, porque depois do trabalho vou passar no Tio Bernardo”. Minha mãe trocou umas palavras com ele e o acompanhou até a porta para dar-lhe um beijo de despedida. Tio Bernardo era um homem grande e bem gordo, que nossa família apelidou de tio não sei por qual motivo, mas ele praticamente era da família, então o apelido caiu muito bem. Meu pai o conheceu num barzinho que era freqüentado por pessoas acima dos 35 e desde então ficaram super amigos.
Peguei minha mochila e sai de casa, sem me despedir de ninguém, acordei sem vontade de conversar nesse dia. Fui andando pela calçada e olhando ora para o chão, ora para o céu e pensando em Mônica. Já na rua da escola lembrei do Nando, e isso não me agradou já que ele também voltava hoje para os estudos. Entrei pelo portão e muitos na escola já me olhavam e apontavam. Percebi o sorrisinho estampado na boca de algumas meninas que pelo jeito gostam de brigas e idolatram o vencedor, mas não dei trela para nenhuma. Cheguei na classe e sentei no meu lugar, logo em seguida Renato, Lucas, Maísa e Sofia vieram com tudo para cima de mim e me encheram de perguntas. Sofia eu já tinha visto esses dias, mas a curiosidade partia mais de Lucas do que de todos os outros juntos. Enquanto respondia as perguntas, reparei Nando no corredor da escola, fiquei olhando-o, foi quando ele se virou e percebeu que eu o encarava, abaixou a cabeça e saiu andando. Nando sentia a vergonha de ter apanhado mais do que batido, mas eu sabia que acima de tudo ele tinha raiva e queria se vingar de algum jeito e isso não era nada bom para mim, para Mônica e meus amigos.
A aula começou e prestei atenção em todas até o recreio. Quando tocou o sinal do recreio todos saíram apressados para o pátio porque aprender Química Orgânica não é muito agradável. Mas eu continuei na sala e me levantei devagar, Renato ainda copiava o que estava na lousa e Sofia estava sentada ao meu lado. Senti uma mão pegando em minha mão, olhei para a pessoa, era Sofia. Ela me puxou e disse: “-Vem cá que preciso te mostrar uma coisa”. Fomos até uma parte da escola onde não havia alunos e ficamos embaixo de uma jabuticabeira. Sofia pegou minhas duas mãos e colou seus lábios nos meus rapidamente. Eu a segurei e a afastei dizendo: “- Sofia, qual o problema? Você não pode fazer isso, eu gosto de sua melhor amiga, a Mônica, e você sabe disso. Vamos esquecer isso, Isso nunca aconteceu”.
Sofia fez uma expressão de espanto e disse: “– Ai Andréas, eu não resisti. Você é tão homem perto dos outros garotos, eu precisava fazer isso. De uns dias pra cá me sinto atraída por você”. Fechei os olhos e suspirei fundo: “- Olha Sofia, você é uma menina linda e muitos garotos a querem, mas eu não posso, entende? Eu só penso na Mônica, não quero me relacionar com ninguém que não seja ela”. Sofia disse: “- Desculpa, você tem razão”. Ela me deu um abraço e enxugou uma lágrima. Saímos daquele canto abandonado e fui procurar Lucas e Renato enquanto ela procurava Maisa.
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A diretora me chamou na saída e disse: ”- Senhor Maranzano, pela sua infração cometida na sexta-feira, o segundo diretor e eu tomamos a decisão de darmos mais uma punição, porque já se faziam 5 anos que não tínhamos um acontecimento desse na escola e você e o senhor Fernando Carvalho quebraram a seqüência de dias tranqüilos. Ele já recebeu a pena dele, agora é sua vez. Você vai ter que ajudar os alunos do primeiro colegial a tirarem suas dúvidas de quaisquer matérias. Amanhã eles terão simulado e você será o encarregado de os ajudar. Fique tranqüilo que são apenas 12 alunos com dúvidas. Esteja hoje às 14 horas aqui na biblioteca da escola para seu trabalho, digamos assim, voluntário”. Concordei e sai da escola com raiva. Justo hoje que eu iria visitar Mônica no hospital acontece uma dessas. Para pelo menos me tranqüilizar, no caminho para casa, passei numa loja de brinquedos e comprei um ursinho de pelúcia, escrevi um cartão:
“ Mônica, desculpa não aparecer ai no hospital hoje, é porque tive mais problemas aqui na escola, mas nada grave não. Comprei esse ursinho para que você se sinta melhor. Quando der, eu a visito
Beijos,
Andréas”
Coloquei o cartão junto com o ursinho e fui até a casa de Maisa que era na rua debaixo da minha. Pedi para que entregasse o presente. Olhei no relógio já eram 13horas e 25 minutos, resolvi voltar para a escola sem almoçar, no caminho de volta parei na padaria e comprei um salgado e uma Coca gelada. Matei minha fome com isso mesmo.
Comecei meu trabalho, como dito pela diretora, voluntário.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
10. Notícia repetida.
Corri muito até o hospital onde Mônica estava internada, cheguei e quando entrei na recepção Sofia me esperava agoniada e com os olhos umedecidos. Hesitei, mas a abracei e lhe dei um beijo na testa, Sofia me apertou e encostou sua cabeça em meu peito. Ficamos em tal posição por uns 2 minutos até que ela abriu a boca e disse: - “Mônica sofreu um acidente grave de carro”-. Uma lágrima escorria em minha bochecha esquerda, logo perguntei com firmeza, mas ao mesmo tempo com medo em minha voz: - “E como ela está?”-. Sofia enxugou as lágrimas e disse com voz trêmula: - “Ah, ela não corre risco, mas ela estava em um estado péssimo. O pai dela estava junto, mas ele acordou na ambulância já, segundo ele, o que os salvou foram os airbags do carro e alguém que os retirou a tempo de dentro do carro em chamas, senão teriam morrido queimados talvez, só de eu pensar nessa possibilidade já me arrepia toda. E eu queria saber quem foi o anjo que salvou os dois”-. Fiquei calado, senti um alívio de saber que ela estava bem.
Uma enfermeira veio em nossa direção e nos disse para acompanhá-la, andamos pelos corredores frios do hospital, por alguns momentos ouvíamos gemidos de pessoas doentes e feridas, nos dava arrepios. Entramos no quarto de número 38 e na cama estava Mônica, cheia de curativos, estava dormindo. Sofia ficou alguns momentos comigo ao lado de Mônica, a observando. Foi quando ela disse: - Andréas, eu vou ao quarto ao lado ver como o Tio Mário esta-. Fiz um sim com a cabeça e Sofia saiu do quarto. Tio Mário era a forma carinhosa de Sofia chamar o pai de Mônica, pois por elas serem tão amigas, os pais e mães de ambas já viraram tios e tias.
Coloquei minha mão sobre a de Mônica, ela estava com o corpo quente, apertei de leve sua mão e mais uma vez novas lágrimas escorreram em meu rosto. Rezei um pai nosso pela saúde de Mônica, foi quando logo após virei meu rosto para o criado-mudo ao lado do leito e meu anel estava lá, fiquei o fitando por uns segundos, quando a enfermeira entrou no quarto e disse: - “Esse anel provavelmente é a marca do herói que os salvou do acidente, muito bonito o anel e parece ser de um valor inestimável. Os para-médicos o acharam ao lado de Mônica e o pai dela disse nunca ter visto esse anel na vida dele”-. Sim, esse anel é de um valor inestimável, foi herança da máfia. E agora? E se Mônica soubesse que o anel me pertence? E se meu avô ou pai descobrir a perda do anel? Estaria em uma situação nada agradável. Depois que voltei à realidade, percebi Mônica despertar, soltei sua mão e logo disfarcei. Mônica me viu e disse: - “Andréas? O que faz aqui? Onde estou? O que aconteceu?”-. Apenas disse a ela que havia sofrido um acidente de carro, mas que ela e seu pai estavam bem. Mônica sorriu. O pai de Mônica entrou no quarto com uma muleta, pois seu pé estava com um machucado e foi falar com a filha. Devagar, comecei a sair do quarto, à francesa. Comecei a andar pelo corredor até a hora que Sofia gritou baixo e suavemente meu nome. Olhei para trás e a vi vindo com passo apressado. Sofia disse que estava indo embora já e pediu para que eu à acompanhasse até sua casa, pois tinha medo de ir sozinha já que o bairro em que passariam não era muito seguro. Chegamos na casa de Sofia em uns 40 minutos, antes dela entrar em casa, me disse: - “Acho que Mônica tem razão quando diz que você é diferente dos outros meninos. Sei lá, mas você é o único que se importa realmente com as coisas. Você não é apenas um garoto, você é homem de verdade”-. Dei um sorriso de surpresa e me despedi.
Voltei para casa, e pelo caminho tentei imaginar essas palavras saindo da boca de Mônica. Minha agonia aliviou após ter noticias sobre ELA.
Corri muito até o hospital onde Mônica estava internada, cheguei e quando entrei na recepção Sofia me esperava agoniada e com os olhos umedecidos. Hesitei, mas a abracei e lhe dei um beijo na testa, Sofia me apertou e encostou sua cabeça em meu peito. Ficamos em tal posição por uns 2 minutos até que ela abriu a boca e disse: - “Mônica sofreu um acidente grave de carro”-. Uma lágrima escorria em minha bochecha esquerda, logo perguntei com firmeza, mas ao mesmo tempo com medo em minha voz: - “E como ela está?”-. Sofia enxugou as lágrimas e disse com voz trêmula: - “Ah, ela não corre risco, mas ela estava em um estado péssimo. O pai dela estava junto, mas ele acordou na ambulância já, segundo ele, o que os salvou foram os airbags do carro e alguém que os retirou a tempo de dentro do carro em chamas, senão teriam morrido queimados talvez, só de eu pensar nessa possibilidade já me arrepia toda. E eu queria saber quem foi o anjo que salvou os dois”-. Fiquei calado, senti um alívio de saber que ela estava bem.
Uma enfermeira veio em nossa direção e nos disse para acompanhá-la, andamos pelos corredores frios do hospital, por alguns momentos ouvíamos gemidos de pessoas doentes e feridas, nos dava arrepios. Entramos no quarto de número 38 e na cama estava Mônica, cheia de curativos, estava dormindo. Sofia ficou alguns momentos comigo ao lado de Mônica, a observando. Foi quando ela disse: - Andréas, eu vou ao quarto ao lado ver como o Tio Mário esta-. Fiz um sim com a cabeça e Sofia saiu do quarto. Tio Mário era a forma carinhosa de Sofia chamar o pai de Mônica, pois por elas serem tão amigas, os pais e mães de ambas já viraram tios e tias.
Coloquei minha mão sobre a de Mônica, ela estava com o corpo quente, apertei de leve sua mão e mais uma vez novas lágrimas escorreram em meu rosto. Rezei um pai nosso pela saúde de Mônica, foi quando logo após virei meu rosto para o criado-mudo ao lado do leito e meu anel estava lá, fiquei o fitando por uns segundos, quando a enfermeira entrou no quarto e disse: - “Esse anel provavelmente é a marca do herói que os salvou do acidente, muito bonito o anel e parece ser de um valor inestimável. Os para-médicos o acharam ao lado de Mônica e o pai dela disse nunca ter visto esse anel na vida dele”-. Sim, esse anel é de um valor inestimável, foi herança da máfia. E agora? E se Mônica soubesse que o anel me pertence? E se meu avô ou pai descobrir a perda do anel? Estaria em uma situação nada agradável. Depois que voltei à realidade, percebi Mônica despertar, soltei sua mão e logo disfarcei. Mônica me viu e disse: - “Andréas? O que faz aqui? Onde estou? O que aconteceu?”-. Apenas disse a ela que havia sofrido um acidente de carro, mas que ela e seu pai estavam bem. Mônica sorriu. O pai de Mônica entrou no quarto com uma muleta, pois seu pé estava com um machucado e foi falar com a filha. Devagar, comecei a sair do quarto, à francesa. Comecei a andar pelo corredor até a hora que Sofia gritou baixo e suavemente meu nome. Olhei para trás e a vi vindo com passo apressado. Sofia disse que estava indo embora já e pediu para que eu à acompanhasse até sua casa, pois tinha medo de ir sozinha já que o bairro em que passariam não era muito seguro. Chegamos na casa de Sofia em uns 40 minutos, antes dela entrar em casa, me disse: - “Acho que Mônica tem razão quando diz que você é diferente dos outros meninos. Sei lá, mas você é o único que se importa realmente com as coisas. Você não é apenas um garoto, você é homem de verdade”-. Dei um sorriso de surpresa e me despedi.
Voltei para casa, e pelo caminho tentei imaginar essas palavras saindo da boca de Mônica. Minha agonia aliviou após ter noticias sobre ELA.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
9. Angústia.
Cheguei em casa e o acontecido cada vez ficava mais vivo em minha mente. Meus olhos estavam apenas molhados no momento, mas só foi me livrar dos parentes e enfiar minha cabeça no travesseiro que comecei a chorar. Entre lágrimas e soluços, veio-me um aperto no peito tão forte que coloquei a mão nele já com a certeza de que Deus havia ouvido minha promessa e fosse me levar. Isso não aconteceu, mas sim um vazio imenso que tomou conta de mim, um medo que me fazia tremer as pernas e as mãos, veio-me uma falta de vida.
Um sentimento de culpa chegou logo em seguida, eu sabia que tinha minha parcela de culpa no acidente, eu não deveria ter corrido, ter aceitado a proposta, não devia ter deixado a pressão de todos me levar a essa loucura consumada. Tudo isso que ocorre comigo é pelo simples, mas complexo fato de amar alguém. Não queria que Mônica se fosse e nem que ficasse machucada ou com alguma seqüela. Não queria Mônica longe de mim, eu precisava dela, ela que alimentava minha vida, tirava o desconforto do meu peito. Eu precisava de Mônica para protegê-la, fazê-la feliz. Longe dela eu me sentia mal, deprimido, morto.
Já começava a escurecer o dia, quando o que escureceu de vez foi minha visão, começou a embaçar e ficou tudo preto. Cai no chão. Um mundo novo começava a ter vida, mas não o real e sim o dos sonhos. Eu estava no local do acidente sozinho, tudo a volta estava quieto, estava cinza. Mas um carro vinha devagar para passar pelo cruzamento, e do outro lado vinham dois carros correndo. Sim, eram momentos antes do acidente. Os carros se chocaram, eu não pude fazer nada, mas dessa vez as conseqüências foram diferentes. Eu olhava para meu peito e estava sangrando, sangrava do lado esquerdo, no local do coração. Eu corria em direção ao carro de Mônica, mas ninguém estava dentro, me sentia confuso, me fazia perguntas. ”Cadê meu amor? Preciso salvá-la.” Mônica aparecia com um vestido branco atrás de mim e me abraçava. ”Esta tudo bem comigo, amor. Estou segura, estou salva já.” Eu virava para ela e via-a usando o anel que perdi na hora do acidente, quando eu ia abrir a boca para dizer algo, ela colocou seu dedo em meus lábios e disse. “Não se culpe de nada.”
Esse mundo se desmanchou quando o telefone tocou, o atendi. Era Sofia.
“Andréas, pelo amor de Deus onde você esta? A Mônica esta internada no hospital do centro. Ela sofreu um acidente de carro. Venha para cá já.”
Eu não sabia como Sofia tinha meu numero, se ao menos nem falava com ela, mas nada agora me surpreendia. Enxuguei minhas lágrimas que começaram a escorrer na hora do telefonema por saber que o sonho não era a verdade ainda. Desci as escadas correndo, eu precisava ver Mônica e ter notícias sobre seu pai e o companheiro piloto também. Abri a porta da frente, peguei minha bicicleta e rumei ao hospital. Mais coisas entram na minha cabeça, novas lágrimas corriam em meu rosto e novos problemas entravam em minha vida. Muita coisa para praticamente pouco mais de uma semana e muito mais para um dia só.
Cheguei em casa e o acontecido cada vez ficava mais vivo em minha mente. Meus olhos estavam apenas molhados no momento, mas só foi me livrar dos parentes e enfiar minha cabeça no travesseiro que comecei a chorar. Entre lágrimas e soluços, veio-me um aperto no peito tão forte que coloquei a mão nele já com a certeza de que Deus havia ouvido minha promessa e fosse me levar. Isso não aconteceu, mas sim um vazio imenso que tomou conta de mim, um medo que me fazia tremer as pernas e as mãos, veio-me uma falta de vida.
Um sentimento de culpa chegou logo em seguida, eu sabia que tinha minha parcela de culpa no acidente, eu não deveria ter corrido, ter aceitado a proposta, não devia ter deixado a pressão de todos me levar a essa loucura consumada. Tudo isso que ocorre comigo é pelo simples, mas complexo fato de amar alguém. Não queria que Mônica se fosse e nem que ficasse machucada ou com alguma seqüela. Não queria Mônica longe de mim, eu precisava dela, ela que alimentava minha vida, tirava o desconforto do meu peito. Eu precisava de Mônica para protegê-la, fazê-la feliz. Longe dela eu me sentia mal, deprimido, morto.
Já começava a escurecer o dia, quando o que escureceu de vez foi minha visão, começou a embaçar e ficou tudo preto. Cai no chão. Um mundo novo começava a ter vida, mas não o real e sim o dos sonhos. Eu estava no local do acidente sozinho, tudo a volta estava quieto, estava cinza. Mas um carro vinha devagar para passar pelo cruzamento, e do outro lado vinham dois carros correndo. Sim, eram momentos antes do acidente. Os carros se chocaram, eu não pude fazer nada, mas dessa vez as conseqüências foram diferentes. Eu olhava para meu peito e estava sangrando, sangrava do lado esquerdo, no local do coração. Eu corria em direção ao carro de Mônica, mas ninguém estava dentro, me sentia confuso, me fazia perguntas. ”Cadê meu amor? Preciso salvá-la.” Mônica aparecia com um vestido branco atrás de mim e me abraçava. ”Esta tudo bem comigo, amor. Estou segura, estou salva já.” Eu virava para ela e via-a usando o anel que perdi na hora do acidente, quando eu ia abrir a boca para dizer algo, ela colocou seu dedo em meus lábios e disse. “Não se culpe de nada.”
Esse mundo se desmanchou quando o telefone tocou, o atendi. Era Sofia.
“Andréas, pelo amor de Deus onde você esta? A Mônica esta internada no hospital do centro. Ela sofreu um acidente de carro. Venha para cá já.”
Eu não sabia como Sofia tinha meu numero, se ao menos nem falava com ela, mas nada agora me surpreendia. Enxuguei minhas lágrimas que começaram a escorrer na hora do telefonema por saber que o sonho não era a verdade ainda. Desci as escadas correndo, eu precisava ver Mônica e ter notícias sobre seu pai e o companheiro piloto também. Abri a porta da frente, peguei minha bicicleta e rumei ao hospital. Mais coisas entram na minha cabeça, novas lágrimas corriam em meu rosto e novos problemas entravam em minha vida. Muita coisa para praticamente pouco mais de uma semana e muito mais para um dia só.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
8. O pior.
O lugar onde chegamos era até conhecido, não para mim, mas para Benito. Era uma avenida que dava para a saída antiga da cidade, uma avenida pouco usada para quem quisesse sair da cidade, mas muito usada pelos que fazem racha. Comecei a suspeitar qual seria nossa diversão nesse lugar. O carro andava lentamente e todos nós observávamos o que ocorria em volta, muitos carros parados com som alto, muita bebida, “Marias-gasolina” , carros dando zerinho e outros acelerando mesmo estando parados. Tudo isso em plena luz do dia, imagina quando o sol se põe.
Benito parou o carro e desceu, muito rapazes já foram cumprimentando ele e o puxando até uma mesinha que estava perto da calçada. Toni, meus primos e eu vimos uns montes de dinheiro jogados em cima da mesa e não pudemos deixar de comentar a nossa visão. Benito e os rapazes olharam para nosso carro e todos fizeram um sim com a cabeça. Francesco disse:- Já até imagino!- Eu não sabia o que ele imaginava, mas mesmo assim não perguntei. Benito veio até o carro e disse com o maior tom de aprovação: - Andréas, você vai ter o prazer imenso de pilotar meu carro numa corrida, agora mesmo-. Fiquei sem reação, gelei por alguns segundos e respondi: - Você está de brincadeira. Não posso fazer isso. Por que você não dirige?- . Benito riu e sem menor ressentimento disse: - Escuta, eu apostei grana alta ali. Os caras não deixaram eu correr, porque sempre ganho, só me deixaram apostar e participar com outro piloto, e escolhi você-. Naquele ponto eu já havia entendido tudo, Benito, Toni e meus primos já haviam armado tudo antes de eu acordar. Hesitei em aceitar, sabia que não era certo, mas pela pressão de todos, meus lábios vibraram até sair o “sim”.
Os carros já estavam á postos, era o nosso contra um outro. Nós cinco estávamos nervosos dentro do carro, eu principalmente. A única coisa dita por todos foi “ Boa sorte”. Eu sabia dirigir, meu irmão me ensinou, mas correr? Nunca havia corrido antes. Estava aflito.
Uma garota ficou entre os dois carros, ela era bonita, mas meu nervosismo não deixava ficar reparando nela. Sobe-se um braço, agora o outro e depois de um breve intervalo descem os dois. Os carros cantaram pneu, saímos à frente. Adriano ria sem parar, era patético e falava “Boa, garoto!”. O velocímetro já alcançava 160 por hora e meu nervosismo passava de 200. A reta acabou, chegou a vez da primeira curva, passei tranqüilo, mas o adversário colou na traseira. Acelerei o máximo que pude até a segunda curva , a qual fiz com tranqüilidade, pegamos um segunda reta de uns 2 km de extensão ,era um corrida curta e eu já avistava a linha de chegada, só faltava passar por um cruzamento. Passei, mas só ouvi um barulho imenso, olhei no retrovisor, o carro adversário colidiu com outro carro que cruzava. Pisei fundo no freio e fiz um cavalo de pau. Não me perguntem como fiz isso, mas só sei dizer que o desespero da cena foi o causador. Engatei a primeira marcha novamente e fui à direção do acidente. Parei o carro, todos nós descemos, mas só eu fui socorrer quem estava no carro atingido, os outros foram socorrer o adversário enquanto Francesco ligava para a emergência.
Para minha surpresa, era Mônica que estava no carro. Ela e um homem, provavelmente seu pai. Fiquei branco, gelado, desesperado, gritei, suei frio, chorei. Abri a porta rapidamente, pois no carro havia começado um foco de incêndio, soltei o cinto de Mônica e a puxei para fora do carro, logo em seguida repeti o procedimento com o homem que dirigia. Sei que fazer isso quando alguém sofre um acidente é perigoso, mas era necessário no momento. Adriano retirou o piloto adversário do veículo, pois começou um foco de incêndio no outro veiculo também. Toni aparecia com o extintor de nosso carro e começou a despejar em cima do fogo. Apagamos tudo, foi o tempo de ouvirmos a sirene das ambulâncias, mas não havia ambulâncias apenas e sim a policia também. Benito gritou: “Sujou, vamos embora, eles vão saber que era racha! Vamos!” -. Todos foram e eu fiquei ali parado no meio da rua olhando para Mônica, estendida no chão. Meus olhos doíam e derramavam lágrimas de verdade, de alguma forma eu tinha culpa nisso tudo. Começou a chover. Sai correndo em direção ao nosso carro sob os gritos desesperados de Benito. Abri a porta e sentei, Benito disparou com o carro. Tudo estava em clima tenso, pesado, frio dentro do carro, eu tremia de medo e desespero, olhei para minhas mãos e não pude deixar de reparar que havia perdido meu anel, que foi de meu bisavô mafioso, no meio da confusão.
Minha cabeça estava para explodir, meus nervos também, senti um vazio no peito, um medo. Medo de Mônica estar mal, medo de perdê-la; não queria perdê-la, ela era a única que me fazia sentir algo, eu a amava sem sombra de dúvida. Senti-me um covarde, um fraco, um nada, eu devia ter ficado lá com ela, devia ter a acompanhado até o hospital. Fiz uma promessa; Se Mônica ficasse bem, eu a protegeria em todas as circunstâncias e se fosse a vontade de Deus, a faria feliz. Prometi a Deus e aos santos. Se eu não cumprisse, poderiam me tirar a vida. Vida? Vida para mim era estar perto de Mônica e agora nesse momento eu estava morto, morto por não estar com ela. Sim, ela é meu amor.
O lugar onde chegamos era até conhecido, não para mim, mas para Benito. Era uma avenida que dava para a saída antiga da cidade, uma avenida pouco usada para quem quisesse sair da cidade, mas muito usada pelos que fazem racha. Comecei a suspeitar qual seria nossa diversão nesse lugar. O carro andava lentamente e todos nós observávamos o que ocorria em volta, muitos carros parados com som alto, muita bebida, “Marias-gasolina” , carros dando zerinho e outros acelerando mesmo estando parados. Tudo isso em plena luz do dia, imagina quando o sol se põe.
Benito parou o carro e desceu, muito rapazes já foram cumprimentando ele e o puxando até uma mesinha que estava perto da calçada. Toni, meus primos e eu vimos uns montes de dinheiro jogados em cima da mesa e não pudemos deixar de comentar a nossa visão. Benito e os rapazes olharam para nosso carro e todos fizeram um sim com a cabeça. Francesco disse:- Já até imagino!- Eu não sabia o que ele imaginava, mas mesmo assim não perguntei. Benito veio até o carro e disse com o maior tom de aprovação: - Andréas, você vai ter o prazer imenso de pilotar meu carro numa corrida, agora mesmo-. Fiquei sem reação, gelei por alguns segundos e respondi: - Você está de brincadeira. Não posso fazer isso. Por que você não dirige?- . Benito riu e sem menor ressentimento disse: - Escuta, eu apostei grana alta ali. Os caras não deixaram eu correr, porque sempre ganho, só me deixaram apostar e participar com outro piloto, e escolhi você-. Naquele ponto eu já havia entendido tudo, Benito, Toni e meus primos já haviam armado tudo antes de eu acordar. Hesitei em aceitar, sabia que não era certo, mas pela pressão de todos, meus lábios vibraram até sair o “sim”.
Os carros já estavam á postos, era o nosso contra um outro. Nós cinco estávamos nervosos dentro do carro, eu principalmente. A única coisa dita por todos foi “ Boa sorte”. Eu sabia dirigir, meu irmão me ensinou, mas correr? Nunca havia corrido antes. Estava aflito.
Uma garota ficou entre os dois carros, ela era bonita, mas meu nervosismo não deixava ficar reparando nela. Sobe-se um braço, agora o outro e depois de um breve intervalo descem os dois. Os carros cantaram pneu, saímos à frente. Adriano ria sem parar, era patético e falava “Boa, garoto!”. O velocímetro já alcançava 160 por hora e meu nervosismo passava de 200. A reta acabou, chegou a vez da primeira curva, passei tranqüilo, mas o adversário colou na traseira. Acelerei o máximo que pude até a segunda curva , a qual fiz com tranqüilidade, pegamos um segunda reta de uns 2 km de extensão ,era um corrida curta e eu já avistava a linha de chegada, só faltava passar por um cruzamento. Passei, mas só ouvi um barulho imenso, olhei no retrovisor, o carro adversário colidiu com outro carro que cruzava. Pisei fundo no freio e fiz um cavalo de pau. Não me perguntem como fiz isso, mas só sei dizer que o desespero da cena foi o causador. Engatei a primeira marcha novamente e fui à direção do acidente. Parei o carro, todos nós descemos, mas só eu fui socorrer quem estava no carro atingido, os outros foram socorrer o adversário enquanto Francesco ligava para a emergência.
Para minha surpresa, era Mônica que estava no carro. Ela e um homem, provavelmente seu pai. Fiquei branco, gelado, desesperado, gritei, suei frio, chorei. Abri a porta rapidamente, pois no carro havia começado um foco de incêndio, soltei o cinto de Mônica e a puxei para fora do carro, logo em seguida repeti o procedimento com o homem que dirigia. Sei que fazer isso quando alguém sofre um acidente é perigoso, mas era necessário no momento. Adriano retirou o piloto adversário do veículo, pois começou um foco de incêndio no outro veiculo também. Toni aparecia com o extintor de nosso carro e começou a despejar em cima do fogo. Apagamos tudo, foi o tempo de ouvirmos a sirene das ambulâncias, mas não havia ambulâncias apenas e sim a policia também. Benito gritou: “Sujou, vamos embora, eles vão saber que era racha! Vamos!” -. Todos foram e eu fiquei ali parado no meio da rua olhando para Mônica, estendida no chão. Meus olhos doíam e derramavam lágrimas de verdade, de alguma forma eu tinha culpa nisso tudo. Começou a chover. Sai correndo em direção ao nosso carro sob os gritos desesperados de Benito. Abri a porta e sentei, Benito disparou com o carro. Tudo estava em clima tenso, pesado, frio dentro do carro, eu tremia de medo e desespero, olhei para minhas mãos e não pude deixar de reparar que havia perdido meu anel, que foi de meu bisavô mafioso, no meio da confusão.
Minha cabeça estava para explodir, meus nervos também, senti um vazio no peito, um medo. Medo de Mônica estar mal, medo de perdê-la; não queria perdê-la, ela era a única que me fazia sentir algo, eu a amava sem sombra de dúvida. Senti-me um covarde, um fraco, um nada, eu devia ter ficado lá com ela, devia ter a acompanhado até o hospital. Fiz uma promessa; Se Mônica ficasse bem, eu a protegeria em todas as circunstâncias e se fosse a vontade de Deus, a faria feliz. Prometi a Deus e aos santos. Se eu não cumprisse, poderiam me tirar a vida. Vida? Vida para mim era estar perto de Mônica e agora nesse momento eu estava morto, morto por não estar com ela. Sim, ela é meu amor.
sábado, 28 de novembro de 2009
7. Talvez além do horizonte.
Acordei, eram 10h25min da manhã, fui até a cozinha tomar café. Chegando lá meus 2 primos e meus 2 irmãos estavam tomando café. Perguntei: - Cadê a mamãe?- .Toni respondeu: -Ela saiu com o pai , o vô e a vó. E só vão voltar a noite-. Dei um suspiro de alivio, pois não teria que ouvir o dia inteiro sobre o que aprontei ontem. Peguei o pão e comecei a cortá-lo, todos nós ficamos em silêncio, até ser cortado por Adriano: - Andreas, todos nós já estamos sabendo o que aconteceu ontem e sabemos que você tem a razão. Antes que nos pergunte como ficamos sabendo eu já dou a resposta, a escola inteira já esta sabendo e comentando, e sabe como as noticias correm rápido, né? Só quero lhe dizer que nós, aqui ,conversamos e decidimos que se você precisar, a gente te ajuda a ferrar com o Nando. É só nos dar um toque-. Fiquei olhando para o pão e depois de alguns segundos respondi: - Não, não vamos precisar de nada disso, eu não pretendo mais arranjar confusão com ele-. Todos abaixaram a cabeça e fizeram gestos de que estavam de acordo com o dito.
Após tomar o café, subi para meu quarto e sentei na cadeira da escrivaninha, comecei a viajar nos pensamentos. Eu estava confuso sobre a influência que o sangue fazia em mim, sobre o quão ele era favorável e o quão ele era desprezível. Estava confuso sim, e muito. Aliás, minha vida era uma confusão, nada estava no lugar, nada mesmo. E Mônica que veio para embaralhar mais ainda minha vida. E agora? Cheguei a pedir uma resposta a Deus e aos santos, mesmo não sendo religioso. Eu estava perdido.
Caminhei de um lado ao outro pelo quarto sem obter nenhuma resposta que acalmasse meus ânimos. Fechei meus olhos e os apertei bem, a impaciência tomava conta de mim.
Nada me dava sossego, peguei minha toalha e entrei no banho. Fiquei por lá mais de meia hora só deixando a água levar meus problemas e dúvidas pelo ralo, mas isso nunca iria acontecer.
Benito entrou em meu quarto e gritou: - Andreas, vamos dar uma volta. Você vem junto?-. Sem hesitar logo respondi: - Claro! Só espere eu terminar de me arrumar-. Sai do banho e me troquei rapidamente, eu sabia que ficar em casa só pensando, não iria resolver nada, então decidi sair e me distrair um pouco. Benito, Toni, Adriano e meu outro primo que se chama Francesco já estavam no carro. Entrei no carro e fiz um sim com a cabeça, saímos. Não sei para onde íamos, talvez um lugar inédito para nós, talvez um lugar já conhecido, mas o que importava é que eu iria esquecer por alguns momentos todas as perguntas intrigantes para mim e talvez eu esquecesse Mônica por breves momentos. Acho difícil, mas quem sabe? E o carro sumia no horizonte.
Acordei, eram 10h25min da manhã, fui até a cozinha tomar café. Chegando lá meus 2 primos e meus 2 irmãos estavam tomando café. Perguntei: - Cadê a mamãe?- .Toni respondeu: -Ela saiu com o pai , o vô e a vó. E só vão voltar a noite-. Dei um suspiro de alivio, pois não teria que ouvir o dia inteiro sobre o que aprontei ontem. Peguei o pão e comecei a cortá-lo, todos nós ficamos em silêncio, até ser cortado por Adriano: - Andreas, todos nós já estamos sabendo o que aconteceu ontem e sabemos que você tem a razão. Antes que nos pergunte como ficamos sabendo eu já dou a resposta, a escola inteira já esta sabendo e comentando, e sabe como as noticias correm rápido, né? Só quero lhe dizer que nós, aqui ,conversamos e decidimos que se você precisar, a gente te ajuda a ferrar com o Nando. É só nos dar um toque-. Fiquei olhando para o pão e depois de alguns segundos respondi: - Não, não vamos precisar de nada disso, eu não pretendo mais arranjar confusão com ele-. Todos abaixaram a cabeça e fizeram gestos de que estavam de acordo com o dito.
Após tomar o café, subi para meu quarto e sentei na cadeira da escrivaninha, comecei a viajar nos pensamentos. Eu estava confuso sobre a influência que o sangue fazia em mim, sobre o quão ele era favorável e o quão ele era desprezível. Estava confuso sim, e muito. Aliás, minha vida era uma confusão, nada estava no lugar, nada mesmo. E Mônica que veio para embaralhar mais ainda minha vida. E agora? Cheguei a pedir uma resposta a Deus e aos santos, mesmo não sendo religioso. Eu estava perdido.
Caminhei de um lado ao outro pelo quarto sem obter nenhuma resposta que acalmasse meus ânimos. Fechei meus olhos e os apertei bem, a impaciência tomava conta de mim.
Nada me dava sossego, peguei minha toalha e entrei no banho. Fiquei por lá mais de meia hora só deixando a água levar meus problemas e dúvidas pelo ralo, mas isso nunca iria acontecer.
Benito entrou em meu quarto e gritou: - Andreas, vamos dar uma volta. Você vem junto?-. Sem hesitar logo respondi: - Claro! Só espere eu terminar de me arrumar-. Sai do banho e me troquei rapidamente, eu sabia que ficar em casa só pensando, não iria resolver nada, então decidi sair e me distrair um pouco. Benito, Toni, Adriano e meu outro primo que se chama Francesco já estavam no carro. Entrei no carro e fiz um sim com a cabeça, saímos. Não sei para onde íamos, talvez um lugar inédito para nós, talvez um lugar já conhecido, mas o que importava é que eu iria esquecer por alguns momentos todas as perguntas intrigantes para mim e talvez eu esquecesse Mônica por breves momentos. Acho difícil, mas quem sabe? E o carro sumia no horizonte.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
6. Uma pedra no caminho.
Cheguei à escola, estava tremendo e com um aperto no coração, tudo isso pelo medo de encarar as pessoas hoje. As pessoas? Não! Era a Mônica mesmo. Entrei na sala de aula, todos estavam com livros abertos estudando logaritmo e geometria espacial. Ah sim, tinha prova e eu não estudei porque fiquei muito tempo envolvido com os recentes fatos, festas, Adriano e claro, Mônica.
Dirigi-me até a carteira e nem ousei abrir o livro, pois estudar faltando 20 minutos para a prova era a maior perda de tempo. Renato e Lucas vieram me cumprimentar e comentaram sobre a festa, dos dois, só Renato lembrava da revelação, pois Lucas estava em um estado lamentável na ocasião.
O sinal anunciou a hora da prova, o professor entra na sala e distribui as provas, olhei para a carteira de Mônica, estava vazia. O que ocorrera? Será que esta bem?
O professor colocou a prova em cima de minha mesa, olhei para aquelas formas geométricas e para aqueles números e não sabia nem como começar. Olhei ao meu redor e descobri que minha expressão não era a única; Maísa, Lucas, Sofia e vários outros estavam com a mesma expressão, só Renato que não. Renato era muito estudioso, não nerd.
Escrevi algumas coisas na prova, desenhei algo e entreguei a prova ao professor que logo me dispensou da sala e me disse para aguardar o término da prova no pátio. Abri a porta da sala e sai andando pelo corredor, parei em frente ao armário de Mônica e fiquei observando por alguns segundos. Continuei a andar. Cheguei ao pátio e me sentei num banco que ficava na parte descoberta da escola, embaixo de uma arvore.
Já vi apontar no pátio também os outros que não sabiam nada na prova. Maisa e Sofia desceram as escadas e vieram ao meu encontro, logo atrás veio Lucas e Nando. Nando era um rapaz ambicioso, sempre com segundas intenções, tinha cabelo espetado e preto, olhos profundos, era magro, mas forte. Maisa disse: - Festa boa a de ontem, hein Andréas?-. E riu. Eu respondi: - É, estava boa mesmo-. Nando entrou no meio com uma provocação: - Pois é, estava boa, mas acho que tem pessoas que não gostaram muito, pois nem vieram à aula. O que será que aconteceu? Será que ela queria evitar você Andréas? Será que ela ficou com outro garoto naquela noite, ai foi tão bom, que nem quis vir à escola. Hein!-. Fiquei roxo de raiva, Maisa, Sofia e Lucas fizeram uma cara de “Nossa, que mancada!”. Não me detive, voei em cima de Nando, dei-lhe um murro no nariz que imediatamente começou a sangrar. Nando, então, partiu para cima também e rolamos no chão, ele me acertou um soco no peito, mas revidei acertando-lhe vários socos na barriga e no rosto. Isso foi minha vitória, mas meu pesadelo também, nòs dois levamos suspensão. Na briga, veio-me o sangue italiano mafioso que naquele momento agradeci por tê-lo nas veias.
Voltei a pé para casa, eram 9hrs e pouco, havia começado a aula de Física. No caminho fiquei lembrando da luta, que fui burro ao me levar por aquele sujeitinho. Por que às vezes acreditamos em coisas que nos dizem, mesmo sabendo que são mentiras? Nando era forte, mas não tanto quanto eu, eu havia entrado no começo do ano passado na musculação e já estava forte, não um monstro nem armário, que também não era minha meta. Lembrei também da prova, de como fui mal nela e não pude esquecer de Mônica. Por que ela faltou? Não sei, mas queria saber. Entrei na sala sob olhares da família toda e lá fui eu dar explicações sobre o ocorrido.
Cheguei à escola, estava tremendo e com um aperto no coração, tudo isso pelo medo de encarar as pessoas hoje. As pessoas? Não! Era a Mônica mesmo. Entrei na sala de aula, todos estavam com livros abertos estudando logaritmo e geometria espacial. Ah sim, tinha prova e eu não estudei porque fiquei muito tempo envolvido com os recentes fatos, festas, Adriano e claro, Mônica.
Dirigi-me até a carteira e nem ousei abrir o livro, pois estudar faltando 20 minutos para a prova era a maior perda de tempo. Renato e Lucas vieram me cumprimentar e comentaram sobre a festa, dos dois, só Renato lembrava da revelação, pois Lucas estava em um estado lamentável na ocasião.
O sinal anunciou a hora da prova, o professor entra na sala e distribui as provas, olhei para a carteira de Mônica, estava vazia. O que ocorrera? Será que esta bem?
O professor colocou a prova em cima de minha mesa, olhei para aquelas formas geométricas e para aqueles números e não sabia nem como começar. Olhei ao meu redor e descobri que minha expressão não era a única; Maísa, Lucas, Sofia e vários outros estavam com a mesma expressão, só Renato que não. Renato era muito estudioso, não nerd.
Escrevi algumas coisas na prova, desenhei algo e entreguei a prova ao professor que logo me dispensou da sala e me disse para aguardar o término da prova no pátio. Abri a porta da sala e sai andando pelo corredor, parei em frente ao armário de Mônica e fiquei observando por alguns segundos. Continuei a andar. Cheguei ao pátio e me sentei num banco que ficava na parte descoberta da escola, embaixo de uma arvore.
Já vi apontar no pátio também os outros que não sabiam nada na prova. Maisa e Sofia desceram as escadas e vieram ao meu encontro, logo atrás veio Lucas e Nando. Nando era um rapaz ambicioso, sempre com segundas intenções, tinha cabelo espetado e preto, olhos profundos, era magro, mas forte. Maisa disse: - Festa boa a de ontem, hein Andréas?-. E riu. Eu respondi: - É, estava boa mesmo-. Nando entrou no meio com uma provocação: - Pois é, estava boa, mas acho que tem pessoas que não gostaram muito, pois nem vieram à aula. O que será que aconteceu? Será que ela queria evitar você Andréas? Será que ela ficou com outro garoto naquela noite, ai foi tão bom, que nem quis vir à escola. Hein!-. Fiquei roxo de raiva, Maisa, Sofia e Lucas fizeram uma cara de “Nossa, que mancada!”. Não me detive, voei em cima de Nando, dei-lhe um murro no nariz que imediatamente começou a sangrar. Nando, então, partiu para cima também e rolamos no chão, ele me acertou um soco no peito, mas revidei acertando-lhe vários socos na barriga e no rosto. Isso foi minha vitória, mas meu pesadelo também, nòs dois levamos suspensão. Na briga, veio-me o sangue italiano mafioso que naquele momento agradeci por tê-lo nas veias.
Voltei a pé para casa, eram 9hrs e pouco, havia começado a aula de Física. No caminho fiquei lembrando da luta, que fui burro ao me levar por aquele sujeitinho. Por que às vezes acreditamos em coisas que nos dizem, mesmo sabendo que são mentiras? Nando era forte, mas não tanto quanto eu, eu havia entrado no começo do ano passado na musculação e já estava forte, não um monstro nem armário, que também não era minha meta. Lembrei também da prova, de como fui mal nela e não pude esquecer de Mônica. Por que ela faltou? Não sei, mas queria saber. Entrei na sala sob olhares da família toda e lá fui eu dar explicações sobre o ocorrido.
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